Gerência
de Canais(PRM): Mais que Puro Software.
Adalberto de queiroz
Especialista em PRM, Jornalista e Pós Graduado em Marketing
pela FGV.
Na próxima década, "o marketing sofrerá
uma reengenharia completa" - a advertência é
do papa do marketing, Philip Kotler em "Marketing para
o Século XXI". E completa: "a chamada ´Economia
da informação` já está mudando
aspectos diversos da vida diária e com ela noções
de tempo, espaço e de massa". Uma consequência
deste corolário é mudança de conceitos
na política de canal de vendas. Consequência
imediata: as empresas deverão identificar seus parceiros
de negócio e tê-los mais do que nunca como aliados,
implementando formas de gestão desse relacionamento
que sejam adequadas e permanentes, numa palavra: fidelização.
É nesse contexto histórico que o novo conceito
de Partner Relationship Management (PRM) ganha evidência
e momento de ascensão na mídia e nas empresas
de tecnologia. Vale também a advertência do teórico
deste novo conceito. PRM é muito mais que software,
PRM é estratégia de negócios, ensina
Bob Thompson. Essa máxima levou algum tempo para ser
compreendida no mundo do CRM.
O conceito de PRM surge, assim, em boa hora, identificado
com "um conjunto de ferramentas destinadas a gerenciar
os canais indiretos de venda, agregando serviços, mantendo
a comunicação de mão dupla, e que tem
como o objetivo gerar mais negócios e manter a fidelidade
do parceiro de negócios à indústria que
ele representa ou em nome de quem faz negócios."
Por se tratar de conceito novo, exige certo tempo para sua
maturação, e esta estará diretamente
ligado à ocorrência de negócios neste
novo nicho, em que as ferramentas de software que o suportam
são estreantes.
Segundo Thompson, os planos, a experiência e uma equipe
treinada devem vir junto com o conceito para que a implantação
de ferramentas de PRM seja um sucesso. Dizer que software
é apenas uma ferramenta suportando a idéia não
é nenhuma novidade só que neste caso deve ser
uma consciência tanto da parte de quem constrói
e disponibiliza a ferramenta (fábricas de software),
quanto da parte dos que estão dispostos a implementá-la
- os empresários.
Uma das causas para a decolagem do conceito agora, talvez
seja o fato de que há dois anos atrás não
havia uma boa infra-estrutura de ASPs e a própria Internet
ensaiava seus passos no mundo dos negócios entre empresas
(BtoB).
No início, os grandes fabricantes de softwares de
CRM imaginaram que bastava adicionar algumas novas funcionalidades
aos seus sistemas de CRM e pronto, já estariam atendendo
às necessidades de indústrias que trabalham
com canal indireto de vendas, mas isso demonstrou não
ser o mais adequado ao mercado.
No entanto, as necessidades das empresas que vendem seus
produtos através de outras empresas são muito
diferentes daquelas que tratam diretamente com o consumidor
final. Tipicamente são considerados como canal de vendas
indireto, as revendas, provedores de serviços, representantes,
agentes de negócios, os serviços de assistência
técnica, ou os consultores independentes - muitos deles
surgidos da onda de reengenharia e terceirização
nas grandes corporações.
A principal característica desta nova força
de marketing - o canal indireto é que são empresas
ou pessoas que trabalham de forma independente, com seu próprio
modelo comercial e de abordagem de mercado, e ganha por negócio
realizado. Pense no canal indireto com a designação
que melhor lhe parecer: parceiro, representante comercial,
revenda. A verdade é uma só: eles são
intermediários que representam uma empresa e com ela
fazem negócio por opção e não
por imposição. Não são empregados,
colaboradores diretos nem lhe devem fidelidade, a menos que
esta seja conquistada.
Algumas indústrias como informática, telecomunicações,
eletro-eletrônica, alimentos, higiene e limpeza necessitam
gerenciar e se valem bastante, de forma focada, na rede de
revendas, dando maior capilaridade e maior amplitude aos seus
negócios.
É aí que surge a diferença primordial
que um bom sistema de PRM pode fazer: disponibilizar para
a rede de parceiros as informações de que eles
necessitam e que a indústria (o representado) já
possui dentro de um sistema de ERP ou de acompanhamento de
negócios. Assim, "estar centrado no cliente"
é estar centrado no parceiro de negócio.
Por tudo isso, o conceito de PRM não se restringe
às ferramentas que o software proporciona. Na verdade
é toda uma estratégia de administração
da força de vendas indireta. Empresas que dependem
de outras empresas para fazer negócios não podem
impor padrões e metas, e sim conquistar e incentivar
essas empresas a fazer cada vez mais negócios em conjunto.
É muito diferente quando sua força de vendas
não é constituída por pessoas diretamente
vinculadas a sua empresa - quando basta uma ferramenta clássica
de automação da força de vendas (SFA).
A comunicação com parceiros de negócios,
por sua vez, é por natureza diferente da comunicação
com colaboradores diretos, de quem se espera, compartilhamento
da mesma visão da empresa.
A comunidade de empresas e pessoas que fazem negócios
com seus produtos e serviços deve ser ouvida, deve
ser incentivada a falar de suas necessidades e idéias
para aumentar vendas e atingir maior satisfação
dos clientes. Cada empresa tem seu próprio modelo de
negócio e seus motivos para focar o seu produto ou
o produto dos seus concorrentes.
E quem melhor do que os seus parceiros para fornecer informações
preciosas sobre clientes, mercado, e concorrentes?
Mas é surpreendente como são raras as empresas
que buscam e obtêm informações cruciais
como estas na sua própria rede de parceiros.
É o velho e importante imperativo de fidelizar o canal
através de uma estratégia construída
com essa finalidade.
O que um bom software de PRM poderá fazer é
ser um conjunto de soluções que possa ajudar
a empresa a disponibilizar informações constantes,
oferecer oportunidades para que sejam dadas novas idéias,
incentivar discussões, sistematizar uma série
de ações definidas na estratégia e manter
controle dos resultados.
Até há pouco tempo atrás só havia
a preocupação de buscar informações
sem nenhum foco em disponibilizar informações
ou em conhecer melhor quem está face-a-face com o cliente,
falando do seu produto ou da sua empresa.
A implantação de um software de PRM necessita
ser apoiada em uma decisão anterior de modificar efetivamente
a forma de se comunicar e de gerenciar o canal de vendas,
como parte da estratégia de ampliar os negócios.
Ainda de acordo com Bob Thompson, "não é
fácil separar aplicações de pedidos baseadas
na Web de um verdadeiro produto de PRM." No primeiro
momento, tem-se a impressão de que tudo se resume a
colocar pedidos através da Internet e enviar e-mails
com as informações de promoções.
Não foi muito diferente com CRM, que foi confundido
por muito tempo com bases de cadastro de clientes com algumas
informações de personalização.
Hoje já se conhece bem a diferença de uma postura
baseada no cliente de um cadastro de informações.
Da mesma forma, para empresas que atingem seu mercado-alvo
através de outras empresas, a implantação
verdadeira do conceito de PRM tem um papel crucial na manutenção
da fidelidade da rede de negócios. Da mesma forma que
ocorre com o consumidor final, as revendas podem optar por
vários fabricantes ou provedores de soluções.
Além disso, ao se estabelecer prioridades é
muito importante ouvir a rede de parceiros, pois na maioria
dos casos as necessidades e as prioridades das revendas são
diferentes das do fabricante ou provedor de soluções.
O pressuposto das aplicações de PRM é
a construção de um relacionamento com as empresas
parceiras de negócios, pois é o relacionamento
que mantém o nome da indústria na mente dos
gerentes comerciais e vendedores. E um bom relacionamento
é vital para ambas as partes - fabricante e revenda.
É por isso que PRM é uma estratégia
de negócios apoiada numa ferramenta, ou seja, a decisão
cultural tem que ser anterior à seleção
e instalação de uma ferramenta (software). E
a experiência tem demonstrado que as empresas que têm
adotado uma cultura de estreitar o relacionamento com sua
rede de revendas têm obtido rápido sucesso.
E para finalizar, fique com a advertência de Thompson:
"se você quiser ser bem sucedido em PRM, comece
sendo na prática um bom parceiro" - o que significa
entender seu parceiro de negócios, tendo com ele uma
empatia, para entender as questões que lhe são
vitais, descobrindo o que agrega valor para ele e só
então escolha a ferramenta de software.
Na implementação de um sistema de PRM algumas
regras podem ajudar a garantir o sucesso do projeto e o tão
almejado resultado de conquistar a lealdade da comunidade
de parceiros. Veja uma síntese abaixo, que foi elaborada
a partir de discussões do grupo de Bob Thompson:
VALORIZAÇÃO DA REDE DE REVENDAS
A formação de um grupo de suporte à
implantação é a primeira e a mais importante
providência em PRM. Esse grupo deve envolver a Gerência
de Canais e a Gerência Comercial e sua tarefa principal
deverá ser ouvir as Revendas e definir o que é
prioritário para agregar valor.
Novamente a questão cultural de valorizar o papel da
rede de parceiros tem papel fundamental na decisão
de conquistar a lealdade e a fidelidade dessas empresas, que
dentre os diversos fornecedores do mercado preferiu trabalhar
com a sua empresa.
ESTABELECER A ESTRATÉGIA
Para algumas indústrias o mais relevante é
estabelecer alta capilaridade da Rede de Revendas, para outras
é decisivo estabelecer uma política de relacionamento
com a Revenda amparado em um programa formal de parceria,
onde as regras são claras e buscam a fidelidade e relacionamento
de longo prazo.Para Redes de Serviços há aspectos
relevantes que diferem radicalmente de algumas indústrias
onde o valor agregado ao produto não é significativo.Enfim,
cada empresa tem a sua estratégia e o sistema de PRM
deve ser uma ferramenta facilitadora da implantação
dessa estratégia.
DEFINIR AS PRIORIDADES
Após estabelecer a estratégia é importante
checar com um número reduzido de revendas os aspectos
considerados mais relevantes e que devem ser priorizados.
Confrontados com a visão da indústria, essas
prioridades vão se transformar em uma proposta de trabalho
e um cronograma. Nem tudo pode ser feito de uma só
vez, e vários aspectos da estratégia têm
implicações culturais e requerem aperfeiçoamento
e constante monitoração até que passem
para o piloto automático.
PRM NÃO É SOFTWARE - É
POLITICA DE CANAIS
Não resta dúvida que uma ferramenta auxilia
e traz ganhos fantásticos na implementação
de uma Política de Canais consistente. Mas na prática
o que se percebe é a deficiência da própria
política particularmente no que se refere à
comunicação e a construção do
relacionamento. A comunicação é deficiente,
ou o que é pior, ás vezes é inexistente.
É comum empresas que tem toda a sua estratégia
baseada em canais indiretos de venda deixarem passar meses
sem uma única palavra trocada entre o Presidente, ou
o Diretor Comercial e as melhores 20 revendas. Essa tarefa
existe apenas entre os vendedores das duas pontas da rede.
Ou entre o diretor de Canais e as seus parceiros ao final
de um trimestre, quando o cumprimento de metas assim o exige.
Os mestres da matéria gestão de canais indiretos
de vendas, no entanto, sabem que a construção
de um relacionamento baseia-se principalmente em comunicação
constante, no cumprimento de compromissos e no apoio recíproco
entre as partes. E, convenhamos, vários programas são
planejados com excelência e esbarram na prática
cotidiana - em que a comunicação está
ausente ou deficiente. Construir uma Rede de Relacionamento
é bem mais difícil e exigente do que cadastrar
revendas pela Internet. E conquistar a fidelidade e a preferência
das empresas que vendem o seu produto deve ser o alvo de qualquer
empresa que faz negócios através de Canais Indiretos.
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